Seria isto, mesmo assim uma prisão?
Teríamos, em algum momento, real noção dos limites e das implicações disto para nossas vidas?
Exemplo:Peguemos um animal silvestre, um pássaro, por exemplo, e o prendamos em uma gaiola pequena. Quem já fez isto em sua infâcia sabe como o animal não sossega nos primeiros dias, com o tempo se acostuma até com a presença humana por perto. Gradualmente aumentemos os limites dessa prisão, sem limites, até que o pássaro não perceba que ele está dentro de uma gaiola. A prisão, conceitualmente, continua existindo?
Levanto estas questões porque hoje faz 20 anos dos protestos pró-democracia na China (aquela imagem de um homem na frente de uma fila de tanques de guerra foi feita neste dia, leia mais aqui). Com a pseudo-abertura (na prática apenas para a entrada de capitas e a saida de produtos) da china nos últimos anos, terá se tornado a china uma gaiola tão grande que os chineses nem sequer percebem que ela existe? Outra notícia relacionada desta semana diz que a China bloqueou o Twitter e o Hotmail, aqui.
Outro exemplo bem próximo é o da Cuba que só agora (depois de muitos anos) está tendo as barreiras impostas principalmente pelos EUA (mas aceita por quase todo o mundo) diminuídas: a OEA decidiu por aceitar a Cuba de volta, leia mais aqui.
Levanto este tema, consciente que é bem mais fácil enxergar o que está distante, o que não nos envolve diretamente, perguntando-me quais as gaiolas e prisões em que nós, como ocidentais, capitalistas, brasileiros, pernambucanos, estamos e nem sequer nos damos conta? Na minha opinião, as nossas maiores prisões são: o sistema político e econômico, nossa organização social como um todo e, em particular, o sistema educacional, o acesso a informação e principalmente a mídia, esta força 'oculta' que nos influencia fortemente e nos guia baseado em interesses muitas vezes obscuros para nós. Mas este não é o objetivo desde post, não quero dar respostas, apenas nos fazer pensar um pouco.
É isso!
2 comentários:
putz, um tema desse só com cerva e uma bom tempo de conversa; muito aberto a discussões...
mas quero acrescentar primeiramente 2 notícias que vi hj e achei interessantes:
1 - Cuba não aceitou entrar para OEA, não entendi bem o contexto mas parece que eles sempre disseram que não queriam voltar pq não aceitavam a OEA do jeito que era, estaca zero? não creio, os acenos para uma abertura estão se multiplicando...
2 - Até hj não se sabe o que ocorreu com aquele cara que ficou na frente dos tanques, pelo que entendi ele sumiu e o governo nunca deu explicações. Um mártir sem nome, num sei como não fizeram um filme ainda...
Colocando um ponto análogo, quando eu era criança, uma vez brincando, coloquei açúcar numa garrafa PET, esperei uma mosca entrar e tampei; inicialmente ela ficou agoniada pra sair e depois parou, quando abri a garrafa ela continuou lah, e por muito tempo até que forcei ela a sair. O ponto é, usando novamente o exemplo da china, se fosse dada toda liberdade a eles, eles usufruiriam? E nós, saberíamos viver sem uma globo?
bom tem varios temas ai, mas emitindo opiniao sobre a primeira pergunta: As coisas so existem se a gente diz que existem, se temos conciencia das mesmas. Se o passaro nao a percebe, ela nao existe. existe?
ps: vale notar aqui que 'perceber' se extende para além de percepcoes sensoriais, ditas externas, para os componentes mais internos, como a conciencia.
pps: como nego a acessibilidade do espirito humano ao absoluto, a palavra existir (assim como varias outras) devem ser usadas com cuidado associando seus pontos de referencia
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