quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Nota acerca das superstições & Hipótese acerca do cantar das corujas

Desde criança, morando em pequena cidade no interior pernambucano, convivo com muitas lendas e superstições mantidas ainda vivas por boa parte da população, (creio que) não mais por pura fé mas sim por sempre gerarem boas brincadeiras ou por puro ato repetitivo sem sentido, assim como se mantêm vivos boa parte dos costumes culturais. Como exemplo posso citar as crendices em torno de animais pretos (gatos, principalmente), superstições sobre passar em baixo de escadas, assoviar a noite, passar por baixo de arco-íris, entre tantas outras lendas ainda vivas em nossas cabeças e, por que não, em nossa cultura.
Apesar de, na maioria das vezes, serem associadas, digamos, a conceitos adotados erroneamente (segundo o Michaellis, superstição pode ser entendida como uma crença errônea), costumo procurar entender esses 'conhecimentos coletivos', procurar seus motivos, tentar descobrir os mistérios por trás da sabedoria popular pois não acredito que o conhecimento acumulado durante milênios possa ser classificado simplesmente como errôneo ou resultado de uma fé muitas vezes cega e mal-guiada sem a mínima tentativa de entendimento, apesar de poderem ser apenas isto mesmo.
Um desses 'conhecimentos coletivos' ainda mantido vivo trata do cantar das corujas, reza a superstição que ouvir o cantar de coruja é indício de morte certa de algum conhecido.
Como morei próximo a um galpão onde sempre teve corujas em seu telhado e como costumo ter hábitos noturnos, assim como as corujas, pude levantar algumas hipóteses acerca do seu comportamento e dessa supertição.
1. Não existe relação nenhuma entre mortes e o cantar das corujas!*
2. Estes animais cantam durante todo o ano. Bem pouco, é verdade, embora seja sempre, todos os dias. Só mudam durante o período de acasalamento, quando costumam cantar a noite toda.
3. Hipótese:
As pessoas costumavam dormir muito cedo antigamente. Na maioria dos lugares nem luz tinha, isso levava as pessoas para a cama pouco depois do escurecer. Dificilmente então ouviam o cantar das corujas. Apenas quando algo muito diferente ocorria é que as pessoas ficavam acordadas até tarde ou 'viravam a noite'. A única** coisa diferente que podia acontecer era alguém estar muito doente ou estar sendo velado. Nessas situações é que ouviam o cantar de corujas. Ou seja, fica fácil associar um canto que as pessoas só ouviam em momentos fúnebres com a morte. Ainda mais, nestas noites é bem facil ficar se conversando besteiras/mentiras sobre crendices, etc.
No mais, esta não é uma daquelas supertições que posso dizer que tem uma 'sabedoria' embasando os costumes, embora tenha uma razão lógica por trás. Portanto, MITO!

*Tentemos acabar com essa supertição. Um dos meus irmão mais velhos diz que, em sua infância, era comum 'matanças' sem sentido de corujas simplesmente para a coitada não cantar e, conseqüentemente, não agorar a morte de ninguém próximo. O costume popular deve ser
mantido, mas não a custa da morte desse inofensivo animal, que, por pura coincidência, significa a inteligência nos meios científicos.

**Claro, festas também podiam ocorrer e fazer as pessoas dormirem tarde, mas nesse caso as pessoas estavam ocupadas de mais para ficar prestando atenção em animais cantando ou qualquer outra coisa, evitando assim a associação do cantar das corujas com as festas. :D

3 comentários:

Tiago Buarque disse...

acho que pra salvar as corujas vale a pena inventar a supertição que matar coruja dá azar, pricipalmente as coruajas brancas q são as mais bonitas
ou como vc falou fazer festas

sid disse...

mais uns loucos pro hospício...

Figueredo disse...

É verdade, acho que nunca são "errôneos". Além dessa classe de superstições que nascem a partir de fenômenos sem explicação, citaria a classe cujo objetivo eu diria que é educar as pessoas, como a de passar por baixo de escada, quebrar espelho, "cruzar um cruzamento" (essa eu sempre presto atenção, pois sempre atravesso a esquina da minha casa para a outra em diagonal). Todas essas são contadas para que alguém não faça algo por ser perigoso ou impróprio de alguma outra maneira..